É bom saber que se vem ao mundo já com pessoas queridas à sua espera. Nem ao menos conhecem seu rosto e já a acolhem com um abraço caloroso de amigo de infância. Chego e logo ao abrir dos olhos encontro traços comuns aos meus desenhados em faces que estão para além de mim. Já existia nesse grande mundo novo, no qual acabo de chegar, uma família rendada por linhas variadas e coloridas. Essa família que chamo de minha. Deram-me nome, água, colo e amor eterno. Presentearam-me com roupas pequeninas, sempre com a estranha predominância do rosa (cor de bebê-menina achavam eles), que mal mal cabiam em mim. Nasci grande, gorda e enrugadamente rosada, mesmo assim consideravam-me parecida com um pai que pouco ainda conhecia., mas que de primeira já amei. Mamãe sempre me guardou naquela sua grande barriga-casa, logo já havia certa intimidade entre nós. Minha primeira e grande confidente era a pessoa que eu mais iria amar por toda a vida. A intimidade entre nós era tão grande, que logo logo ela confiou-me um presente que ela mesmo produzira anos antes de eu nascer. Artesanalmente ela me fez irmã. Entregou-me Manu de presente e disse surrante em meu ouvido: cuidem-se..Assim imagino eu. Acho bonito pensar coisas que minha mãe teria me dito quando ainda era muito pequena. Cabeça de menina tende a guardar pequenos prazeres e histórias. Aquelas duas, tão lindas, já eram parte de mim. Papai também já me ocupava. Ah, havia também vovó. Aquela que coincidentemente era também um pouco enrugadamente rosada como eu. Não entendo porque as pessoas não perceberam isso. Naquele início de vida eu era muito mais vovó do que papai. Com o passar do tempo os traços de meu rosto ganharam formas daquele homem que também, artesanalmente, havia me feito. Curiosamente saltavam-me da boca palavras inventadas, nascidas de minha liberdade de criança. Numa dessas comecei a descobrir a graça da conversa. Do bate-papo descompromissado com alguém que se quer por perto. Ela me escutava. Era minha querida ouvinte. Logo nomeia-a Katchuca. Docemente ela entrou na brincadeira da sonante palavra viva de criança e deu-me novo nome: Calite. O som me interessava. Ela me conquistou para sempre.
Navegante eu ia caminhando pelas curvas da tão recente vida. Passos curtos de menina a desequilibrar a cada novo avanço. Senti o gosto da lágrima. A delícia do sorriso solto. Finalmente acho que nasci. Logo na chegada, também já encontrei primos, tios e tias, amigos, até padrinho e madrinha eles já tinham separado para mim. É engraçado pensar que você já existe antes mesmo de chegar ao mundo. Se você inesperadamente sorri por causa de toda aquela situação estranha, uns fotografam, outros escrevem e muitos choram. Quantas espectativas precedem uma chegada. Chegando ao lar encontrei quarto para mim, cama pronta, leite disponível em seio de mãe para bebê embebedar-se e muita gente, que sem motivo qualquer, me amava. Ah, que delícia! pensei eu. Cheguei em casa.
Navegante eu ia caminhando pelas curvas da tão recente vida. Passos curtos de menina a desequilibrar a cada novo avanço. Senti o gosto da lágrima. A delícia do sorriso solto. Finalmente acho que nasci. Logo na chegada, também já encontrei primos, tios e tias, amigos, até padrinho e madrinha eles já tinham separado para mim. É engraçado pensar que você já existe antes mesmo de chegar ao mundo. Se você inesperadamente sorri por causa de toda aquela situação estranha, uns fotografam, outros escrevem e muitos choram. Quantas espectativas precedem uma chegada. Chegando ao lar encontrei quarto para mim, cama pronta, leite disponível em seio de mãe para bebê embebedar-se e muita gente, que sem motivo qualquer, me amava. Ah, que delícia! pensei eu. Cheguei em casa.
