Grandes montanhas verde musgo. Tapete gramado que encobre o mar de montanhas. Para além delas sinto cheiro de água limpa e salgada, de oceano mergulhante no mais profundo azul. Em meio a tantas e tantas montanhas irmãs encontro uma na qual brotou uma árvore solitária. Ela tem o caule fino e sua copa é bastante larga e ocupada por folhagens nos mais diversos tons de verde. Vejo uma menina sentada sob sua sombra refrescando-se com o ar do dia e com as palavras doces do livro que lê. Nas mãos finas de menina moça ela carrega seu livro de poucas páginas. A capa tem o tom de rosa claro mesclado com vermelho telha. Não sê vê desenhos, apenas poucas palavras. Frase curta que dá nome ao livro. A menina sorri, um daqueles sorrisos entre lábios. Seus cabelos estão soltos e seus pés descalços. Encostada no tronco da fina árvore com a cabeça levemente inclinada ela lê. Alternância de leitura e cochilo. Livro e leve sono. Seus olhos descansam sobre sua face de pouca idade. É fim de tarde. O sol atravessa as folhas desenhando no ar caminhos de luz. Há um leve calor. A suar estão as mãos da menina. O livro escorrega dançante. Não cai. Não alcança o tapete verde da montanha. Apenas cambaleia entre as mãos da menina. O sol começa a se despedir. Já é quase noite. Uma fatia de lua nasce no céu trazendo com ela uma pequenina estrela brilhante. O céu é uma mistura de dia e noite. O amarelo alaranjado com vestígios de vermelho se mistura ao azul claro e breu. Já é noite. A menina levanta. Embaixo de seu braço direito, entre braço e corpo, está o livro. Fechado. Daqui se vê apenas a capa.
Rendada. Estendida. Numa casa de madeira, com cheiro de guardado, ela se põe sobre a comprida mesa da cozinha. Encontro. Passagem. Pratos quentes e frios. Maçãs vermelhas. Sobre ela tudo se deita. Descanso de prato. Talheres. Copos de vidro embaçados. Guardanapos. É chegada a hora do banquete.
sábado, 30 de outubro de 2010
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Dias corridos
À esperar estou. Sempre. Navegando por entre linhas e linhas de páginas em branco, deixando marcas de minhas impressões do dia. As palavras que me saltam da boca são vestígios de memória boa e coração frágil. Sensível ao vento e ao tempo. Sou bastante ocupada durante os dias enfileirados da semana.
Na segunda renasço para a brancura dos novos dias, desconhecidos ainda ao meus olhos. Porém, sempre carrego pedaços, restos do fim de semana que passou.
Na terça de fato abro os olhos, bem cedinho, logo pela manhã e saio na caça de afazeres perdidos.
Na quarta estou nova em folha. Sinto-me como o verde de uma fruta pré-recolhida do pé. Ainda não muita madura. Já é meio de semana e já me anseio para o fim de semana próximo, que logo em breve chegará.
Na quinta sorrisos já me tomam facilmente. Não temo o dia longo e denso que me espera. Salto da cama, lavos os cabelos, tomo café bom e caminho por cada curva do dia, que termina bem tarde da noite.
Sexta é festa. Mesmo em dias frios e cinzas a sexta é ensolarada dentro de mim. Estampo alegria fresca no rosto, visto minha melhor roupa Rio de Janeiro e saio pelas ruas navegante a desbravar cada curva do imenso mar. Mergulho. Refresco-me. Do nascer até o momento da poente sexta descansar aproveito. Danço, sorrio e brilho alegremente. Sem ao menos me cansar ou arranhar minha voz rouca, herança genética de família.
Abraço o fim de semana que chega. Dou-lhe boas vindas e recebo-lhe com flores colhidas no jardim. Sábados e domingos marcados na lembranças. Registro que não escapa aos olhos do olfato e ao doce sabor de meus olhos. Impressos ficam os fins de semana em minha cabeça. Momentos nascidos de sábados e domingos bem vividos.
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