Grandes montanhas verde musgo. Tapete gramado que encobre o mar de montanhas. Para além delas sinto cheiro de água limpa e salgada, de oceano mergulhante no mais profundo azul. Em meio a tantas e tantas montanhas irmãs encontro uma na qual brotou uma árvore solitária. Ela tem o caule fino e sua copa é bastante larga e ocupada por folhagens nos mais diversos tons de verde. Vejo uma menina sentada sob sua sombra refrescando-se com o ar do dia e com as palavras doces do livro que lê. Nas mãos finas de menina moça ela carrega seu livro de poucas páginas. A capa tem o tom de rosa claro mesclado com vermelho telha. Não sê vê desenhos, apenas poucas palavras. Frase curta que dá nome ao livro. A menina sorri, um daqueles sorrisos entre lábios. Seus cabelos estão soltos e seus pés descalços. Encostada no tronco da fina árvore com a cabeça levemente inclinada ela lê. Alternância de leitura e cochilo. Livro e leve sono. Seus olhos descansam sobre sua face de pouca idade. É fim de tarde. O sol atravessa as folhas desenhando no ar caminhos de luz. Há um leve calor. A suar estão as mãos da menina. O livro escorrega dançante. Não cai. Não alcança o tapete verde da montanha. Apenas cambaleia entre as mãos da menina. O sol começa a se despedir. Já é quase noite. Uma fatia de lua nasce no céu trazendo com ela uma pequenina estrela brilhante. O céu é uma mistura de dia e noite. O amarelo alaranjado com vestígios de vermelho se mistura ao azul claro e breu. Já é noite. A menina levanta. Embaixo de seu braço direito, entre braço e corpo, está o livro. Fechado. Daqui se vê apenas a capa.
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