quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Doce três de novembro





Lá nasceu. Era noite do dia três de novembro de 2007. Ainda se via a sobra de um feriado atravessando um sábado inquieto. Um fim de semana tão querido e pouco ocupado. As horas passavam e não se via nem sinal de abraço. Apenas o aguardava em uma angustiante espera. Encontrei-o. Depois de tantos achados e perdidos senti o primeiro suspiro de amor. O primeiro olhar, daquele que tanto queria, cruzava-se com o meu. Tratei de vestir a roupa mais bonita e igualmente confortável. Nesse momento de tanta alegria sentia-me pela primeira vez reconhecida. Um reconhecimento quase farejante. Ele queria toque. Eu queria toque, amor e beijo. Deu certo. Acho que ele gostou de mim. Finalmente, após um ano e meio de namoro solitário havia encontrado meu par. De fato ele existia e naquele momento mostrava-se disposto e levemente animado em seguir em frente. Curiosamente eu entendia a sua sutíl dificuldade em caminhar junto. Sua pouca idade o fazia ter medo do escuro. Do vazio. Do encontro. Um com dezessete e outra prestes a completar dezoito. Número pequeno que se fazia infantil diante de um amor grande. Como encarar aquilo que chega cedo e te solicita tão logo? O amor que vem logo de manhãzinha e me ocupa até o entardecer. Como posso querê-la para sempre se ainda pouco a conheço e pouco de todo o muito do mundo também? Era preciso viver. Ainda havia muita vida pela frente e não era possível esbarrar em uma amor naquela altura. Deu certo. O amor à primeira vista tem me ocupado por anos a fio. Quando meus olhos descansaram sobre ele, na primeira vez em que o vi, senti que algo de novo em mim nascia. A estranheza de um amor desconhecido e nem sequer ainda vivido despertava-me lembranças e memórias. Simplesmente já o amava sem nem ao menos lhe contar meu nome. Prazer, você aceita tomar um sorvete comigo? Deu certo.

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