quinta-feira, 26 de abril de 2012

Sabor framboesa




E lá foi ela abraçar o mundo com seus braços magros e miúdos. Registrava os sonhos em uma folha de papel com medo de perdê-los de vista. Carregava nas costas o abraço ganho naquela segunda-feira passada que ainda lhe toca tão fresca. 

Esgarçava um sorriso bobo sem o menor motivo ou causa aparente. Bem se acostumou com os sorrisos sem justificativas. Aquele que vem por que vem. Sorri pelo simples prazer de sorrir.

Ah, nada como a alegria de viver um dia comum, numa tarde comum e num lugar conhecido. Toda essa possível obviedade ainda a encanta. E canta. E dança. Coloca os fones de ouvido no fundo daquelas orelhas curiosas pelo novo e pelo nem tão novo assim e faz da sua música trilha sonora do mundo que vê. Que sente. Que vive. Que experimenta. A companhia de toda a gente do mundo a faz se sentir em casa. Até o balanço do caminhar muda. Sabe aquele balanço que gastamos apenas no quarto e na área de serviço da casa? Ela usa. Serve-se de vida e de corpo bambo aonde quer que esteja. Aonde quer que seja.

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