Estava eu em febre alta numa noite longa de lua fina. Noite daquelas em que o céu está em azul breu e o clarão da lua vem banhar o meu quarto, que fica logo aqui no fundo da casa. Atravessa a janela entreaberta. Gosto de um pouco de vento pela noite. Gosto de respirar o branco da lua. Gosto de ar. Tenho medo de sufocar-me em palavras. De deixar-me engasgar pelo anseio de palavras bem e mal ditas. Há calor em meu corpo. Estou em fogo laranja ou já sou brasa? Acho que virei cinza. Mas não temo. Renasço logo de manhãzinha. Pego um livro para ler, logo adormeço. Entro em estado de vigília ao me embebedar de palavras que não vem de mim. Voz aguda em variável nota dó. Tece palavras graves para a menina que estás a escutar. Gosto de ouvir coisas bonitas. Palavras ritimadas e vozes que não vem de mim. Porém acho que sou pouco resistente. Livro. Abro. Pouco leio. Adormeço. Penso nele enquanto sonho. Acordada sonho enquanto deito. Ele me acompanha pelas manhãs frias de inverno. Na verdade atravessa comigo todas as estações. Gostamos de cores. Ele gosta de filmes. Eu pouco os vejo, tenho sono. Sonolência audio-gráfica que me persegue. Ele sorri da minha falta de competência em me manter acordada. Gosto quando ele sorri. Gosto quando ele me beija. O corpo segue quente nessa madrugada fria de agosto. Vou fechar os olhos e esperar o(a)manhã que vem. Alguém virá me acordar. Durma com os anjos.
Esse frio que deixa o dia sonolento
ResponderExcluirnão sei se é o frio de fora
Ou se é o frio de dentro
Eu sou a Raíssa. Era pequena, fazia a fadinha.
ResponderExcluirVocê era a Malévola (a melhor).
Tava vendo o blog. Gostei muito, tô seguindo.
Muita sorte e sucesso.
beijos.