sábado, 21 de agosto de 2010

Nascidas de Leila

Diante da espera absoluta, sentada em uma cadeira bonita de madeira, com almofada acolchoada vermelha com tons em laranja, adormeço. Linhas se espalham pelo tapete da sala. Estou a tecer um casaquinho de lã para o filho que ainda nem tenho. Faço sapatinhos para agasalhar pequeninos pés. Tranquila espera daquilo que me faz lembrar o futuro. Mulher-canguru que somos. No ventre materno nosso carregamos como que em sacolas bonitas de feira o mais belo fruto. Cheiro doce de fruta tirada do pé. 
Tenho uma irmã poucos anos mais nascida que eu. Ela veio ao mundo esperada e bem querida. Minha mãe a aguardava sentada no sofá da sala conversando com aquela gigante barriga-casa que acolhia a pequena Manu. Eram conversas longas que atravessavam a madrugada e terminavam com mistura de bocejos e gargalhadas junto ao nascer do sol. Hoje, a pequena encontra-se beirante às margens de sua própria casa e vida. Tece fragmentos de histórias e lembranças em sua pequenina casa de pouco cômodos. Juntou-se a outro menino, bem nascido antes de mim. Hoje juntos partilham de momentos comuns. Bonitos. Raros. Musicais. São escritas sonantes de suas histórias. Tecidas em versos e palavras mais que sonoras, palavras vivas. Desse enlace há de nascer boa coisa. Menino ou menina docemente eletrizante. Embalado por canções de extra-ninar.

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