Diante da espera absoluta, sentada em uma cadeira bonita de madeira, com almofada acolchoada vermelha com tons em laranja, adormeço. Linhas se espalham pelo tapete da sala. Estou a tecer um casaquinho de lã para o filho que ainda nem tenho. Faço sapatinhos para agasalhar pequeninos pés. Tranquila espera daquilo que me faz lembrar o futuro. Mulher-canguru que somos. No ventre materno nosso carregamos como que em sacolas bonitas de feira o mais belo fruto. Cheiro doce de fruta tirada do pé.
Tenho uma irmã poucos anos mais nascida que eu. Ela veio ao mundo esperada e bem querida. Minha mãe a aguardava sentada no sofá da sala conversando com aquela gigante barriga-casa que acolhia a pequena Manu. Eram conversas longas que atravessavam a madrugada e terminavam com mistura de bocejos e gargalhadas junto ao nascer do sol. Hoje, a pequena encontra-se beirante às margens de sua própria casa e vida. Tece fragmentos de histórias e lembranças em sua pequenina casa de pouco cômodos. Juntou-se a outro menino, bem nascido antes de mim. Hoje juntos partilham de momentos comuns. Bonitos. Raros. Musicais. São escritas sonantes de suas histórias. Tecidas em versos e palavras mais que sonoras, palavras vivas. Desse enlace há de nascer boa coisa. Menino ou menina docemente eletrizante. Embalado por canções de extra-ninar.
será o choro do fruto, canção?
ResponderExcluirFaltam palavras. Na verdade prefiro não dizer nada.
ResponderExcluirEmociona. É amor puro em sua essência.
Dulcissíma e voraz. Como faz?
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