Rendada. Estendida. Numa casa de madeira, com cheiro de guardado, ela se põe sobre a comprida mesa da cozinha. Encontro. Passagem. Pratos quentes e frios. Maçãs vermelhas. Sobre ela tudo se deita. Descanso de prato. Talheres. Copos de vidro embaçados. Guardanapos. É chegada a hora do banquete.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Lugares
Um pedaço de chão. Pouco espaço para o caminhar. Palavras perdidas. Vozes em eco. Vazio sem gente. Falta. Quero marcar minhas pegadas nesse pouco chão que vejo. Quero dispersar minha voz por esse espaço oco que me faz sentir falta do barulho das crianças. Aquelas boas gargalhadas que atravessam a boca destentada da menina dentes-de-leite. Espaços. Gosto de tudo aquilo que me ocupa. Que me faz bem querer mais o cheiro do outro. Gasto dias e dias, arrasto-me em madrugadas quentes de verão pensando nisso e naquilo. Vivendo pensamentos soltos de uma mente embaralhada que só faz querer amor. Em cores as palavras me percorrem a cabeça. Posso vê-las daqui! Bonitas cores escritas em forma de prosa. Palavras me preenchem. Amores me ocupam. Vazios estão por toda a parte.
sábado, 22 de janeiro de 2011
Sábado de Janeiro
Vou começar com palavras que já me percorreram e inclusive já devem ter soado aos ouvidos seus qualquer dia desses. Sábado fim de tarde. O dia inteiro foi lindo. Desde do primeiro um terço do dia. Logo pela manhã acordei e dei de cara-corpo com aquele clarão de sol entre o azul. Dia quente de luz bonita. Dia bonito que merece ser vivido do lado de fora. De casa ouço as gargalhadas de minha mãe ecoarem juntas com a de Katchuca. Elas se divertiam com algo que um sábado de sol sempre traz. Quando o dia está amarelo com azul céu penso que as pessoas ficam nesse mesmo colorido. O suor não incomoda. Faz brilhar em mim o dia que corre lá fora. Estou a suar um sábado de janeiro. Aquele que se apresenta logo no início de um ano que promete. É sinto assim: esse ano promete! Há algo em mim que se renova junto com a saída daquele e a chegada deste. Novo ano. Esperanças, sonhos e metas reenergizadas de um amor e de uma leveza incríveis. Quero mais sábados desse tipo e mais anos dessa cor. Gosto dos sábados, dos domingos e da semana que corre. Acho que bem gosto dos dias. Do dia a dia. A segunda que se cola na terça e assim sucessivamente... Rotina não me cansa. Faz-me enxergar o todo de maneira mais organizada e quase clean. Uma palavra estrangeira em meio a tantas outras que estão na ponta de nossa língua. Engraçado isso. Pode ser o curso de inglês dando resultado. Ê sábado que me dispersa e entorpece de alegrias. Fico mais bem humorada. Está tudo tão bonito lá fora. Acho que é hora de abandonar as teclas e viver o dia que me espera.
Agraciada
Penso. Desde o primeiro momento que te vi. Rememoro lembranças de um amor que me conquistou no instante e vem me atropelando festivamente há anos. A primeira vista encontrei algo profundo que me faz cambalear de gratidão, risos e afeto. Ali chegava você para iluminar meu coração e alma. Obrigada. Infinitamente obrigada meu doce amor.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Navegante
Um pouco antes da partida os navegantes juntaram-se na área externa do navio e começaram a dançar. Cantar. Movimentar os corpos a fim de aquecê-los antes da partida. Os momentos que antecedem o embarque são sempre tensos e calorosos, frescos e curiosos e invariavelmente atravessados por uma leve espera ansiosa. Fazia calor naquela tarde de sexta-feira. Aos prantos os corpos suavam. Deixavam água escorrer. Mar. Rio. Dilúvio. Maré. Poucos minutos antes da viagem cantarolamos música já conhecida por nós, olhamos uns para os outros. Sorrimos. Éramos beleza. Tons pastéis, dourado e bronze. Cabelos semi-presos, roupas semi-amassadas e corpos por inteiro. Na entrada do convés, pedras. Cantos. Pouca luz. É chegada a hora. Aos poucos tripulantes vindos de vilarejos e lugares diversos começam a ocupar o navio. Burburrinho. Silêncio. Olhares. Todos se acomodam e aguardam o soar do último apito para que seja dada a partida. Partimos... lá vamos nós. Rumo à Ítaca. A nossa Ítaca. Musas, aedos e ilhas distantes. Cantos estridentes e suaves de sereias. Calor. Suor. Família por perto. Minha mãe bem ao lado a me observar. Amigo próximo. Gente querida. Ao longo da viagem fui reconhecendo pessoas. Cumprimentando-as. Um olhar daqui um olá de lá. Éramos pura felicidade.Sentia-me estranhamente em casa. Aos poucos o corpo encharcado de suor e lágrimas ia perdendo-se em passos largos. A voz também foi desaparecendo aos poucos. Alegria e angústia juntas, lado a lado. O navio pára. Faz um forte calor. Mais um dia de viagem. Rastros de pedras, água espalhada pelo chão. Bacia de prata. Pés descalços. Ouço vozes. Danço canções. Sou recebida com abraços. Em casa estou, junto à família. Beijos, abraços calorosos e sorrisos nos ocupam. Todos ali tão próximos. Memória viva se manifesta em arrepio no corpo. Como foi bonito aquele três de dezembro de dois mil e dez. Partida Chegada. Encontros.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Quando bate a saudade
Coração aperta, tempo pára, olhar fica disperso e eu longe.
Pensamentos voam alto, a caminho daquilo que do outro lado da montanha me espera.
Vem, vem pro mar amor!
Vem sentir o calor dos braços meus!
Sinto falta do cheiro, do toque e do amor. Seu. Meu. Venha!
Chegue logo e vamos juntos abraçar o mar.
Quero sentir seu gosto e seu corpo junto do meu.
Ê saudade que aperta esse coração que espera.
Bebo baldes de água, escrevo poemas e sinto no corpo a falta.
Cama vazia, silêncio.
Quero sua voz a me acordar. Quero cama cheia e corpo. Quero amor!
Venha!
Chegue depressa e me coloque no colo.
Dance comigo.
Vamos namorar! Paixão minha, alegria que me ocupa.
Venha!
terça-feira, 23 de novembro de 2010
De volta à casa
Reencontro a praia, o mar, o calor, o bafo de calor, o suor que mela, o samba e os amigos de para sempre. Sinto amor de irmãs e sorriso de pai. Danço no tapete da sala com a Lelê e ela dá umas risadas ótimas. Ouço o chiado de xis que se arrasta nas palavras e vem uma alegria boa. Minha cidade é maravilhosa e continua lindo. Vou até Madureira lembrar do meu lugar. Durmo com o blusão do meu pai e ele coça as minhas costas. De Ítaca me aproximo. Minha Ítaca tem sotaque carioca. Ai, que vontade de abraçar a Nunu! Almoço de domingo que se estende até as conversas do café da tarde da segunda. Cheiro de lanche. Pão de Açúcar. Redentor que nos proteja e livrai-nos de todo mal. Mal chego e logo arrepio. Mal observo e tanto percebo. Cheguei em casa. Em terra minha, em cidade que me ocupa. Aquilo que antes se apresentava a mim como mais do mesmo, agora, incrivelmente, salta aos meus olhos como paisagens vivas. Lágrimas ao atravessar as linhas - amarela e vermelha - que cortam esse Rio que tomo como meu, como parte de mim. Seria possível isso se talvez estivesse por perto? Acho que a distância nos reapresenta a nossa própria casa. Como passei a observá-lo de maneira mais cuidadosa. Aquilo que escapava-me as vistas, agora é pintura que da cor à memória. Viva! Pôr-do-sol no Arpoador e o samba na Portela. Tom, Vinícius, Cartola, Jamelão e tantos outros que cantavam o Rio. Salve toda gente desse lugar e todo lugar dessa gente. Salve a simpatia carioca! Salve Jorge!
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Doce três de novembro
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