Rendada. Estendida. Numa casa de madeira, com cheiro de guardado, ela se põe sobre a comprida mesa da cozinha. Encontro. Passagem. Pratos quentes e frios. Maçãs vermelhas. Sobre ela tudo se deita. Descanso de prato. Talheres. Copos de vidro embaçados. Guardanapos. É chegada a hora do banquete.
domingo, 2 de setembro de 2012
Marisa e seu Monte de luz!
Após o show da Marisa Monte sinto meu corpo-memória embriagar. Aquela potência de voz lançada como sopro pela boca da mulher radiante - ora de vestido preto, ora de vestido branco - me movimentou. As músicas e as imagens que se desdobraram diante de meu corpo todo ouvidos despertou em mim a delícia do agradecimento. De amar. De viver no amor. De ser amada. De degustar o mundo com o coração aquecido e com sorrisos nos lábios. Da infinita sorte de ter pessoas incríveis junto a mim, iluminando e recheando minha vida de luz, imagens, sabores e sonhos. Obrigada Marisa! Durmo com o coração em festa.
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Viva Elis!
"Agora o braço não é mais um braço erguido num grito de gol. Agora o braço é uma linha, um traço, um rastro espelhado e brilhante. E todas as figuras são assim: desenhos de luz, agrupamento de pontos, de partículas, um quadro de impulsos, um processamento de sinais. E assim - dizem - recontam a vida. Agora retiram de mim a cobertura de carne, escorrem todo o sangue, afinam os ossos em fios luminosos e aí estou, pelo salão, pelas casas, pelas cidades, parecida comigo. Um rascunho. Uma forma nebulosa feita de luz e sombra. Como uma estrela. Agora eu sou uma estrela."
Texto/Poema escrito por Fernando Faro, recitado por Elis em seu último show Trem Azul.
domingo, 26 de agosto de 2012
Eu sei que vou te amar
"a vida só é vida no limite da loucura... só assim vale viver."
Arnaldo Jabor
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Refresco
É bom refrescar diariamente a cabeça e lembrar que as escolhas - foram, são e serão - sempre nossas. O feito, o desfeito, o não feito, o mal feito, o bem feito... tudo escolha nossa. Banhar a memória com merecidas doses de lucidez cai bem. Deixar escorrer pelas canaletas do corpo as lembranças que nos fazem únicos no meio dos nossos iguais gera responsabilidade e alimenta o otimismo. Bancar nossas próprias escolhas não é nada fácil. Mas quem disse que seria?
Com amor, bebê.
Um passo bem dado. Um verbo bem trocado. Um abraço apertado. Um olhar compartilhado. Uma ideia bem exposta. Uma cara bem disposta. Uma música que enrosca. Uma dança que me encosta. Faço disso disso descanso. meu prato. alimento. pedaços. inteiro. corpo-coração. família. amor. recanto. nutrição. enche a intuição. embala a memória. inventa história. recria espaços. reinventa passos. renasce no trajeto. colore objetos. pinta o quarto. e de novo o prato. cheio. de amor. de amor. de amor. de amor.
Agora uma nova nota arrebata nossa história. alfazema. bumbum. água. cocô. sorriso sem dente. abraço bem quente. palavra balbuciada. choro. riso. grito. manu. mamãe. manhê. nunu. bebê. vem. tem colo. vem. tem colo. vem. tem amor. muito. muito. amor. bebê. amor. bebê.
E assim a gente se reinaugura para a vida. Com amor.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Manu
Sabe aquele presente que vem embalado com cores, cheiro de novo e que te suspende na delícia da curiosidade? Sabe aquela música que te leva pra longe, faz o corpo-coração balançar e convida até seu pensamento pra uma dança? Aquele abraço, embolado no beijo, que se desenrola num choro e de repente te leva para um caminho de risada sem fim? Sabe aquele laço, de afeto e puro amor, que nos enreda em uma cumplicidade inexplicavelmente forte e tão nossa que te faz ter a certeza do para sempre? Existe. Tem nome. E uma beleza tamanha. Tão enorme que entendeu bem logo sua função de colorir o mundo. Isso tudo é irmã e a vida generosamente me presenteou com
o que há de melhor, Manu.
Sabor framboesa
E lá foi ela abraçar o mundo com seus braços magros e miúdos. Registrava os sonhos em uma folha de papel com medo de perdê-los de vista. Carregava nas costas o abraço ganho naquela segunda-feira passada que ainda lhe toca tão fresca.
Esgarçava um sorriso bobo sem o menor motivo ou causa aparente. Bem se acostumou com os sorrisos sem justificativas. Aquele que vem por que vem. Sorri pelo simples prazer de sorrir.
Ah, nada como a alegria de viver um dia comum, numa tarde comum e num lugar conhecido. Toda essa possível obviedade ainda a encanta. E canta. E dança. Coloca os fones de ouvido no fundo daquelas orelhas curiosas pelo novo e pelo nem tão novo assim e faz da sua música trilha sonora do mundo que vê. Que sente. Que vive. Que experimenta. A companhia de toda a gente do mundo a faz se sentir em casa. Até o balanço do caminhar muda. Sabe aquele balanço que gastamos apenas no quarto e na área de serviço da casa? Ela usa. Serve-se de vida e de corpo bambo aonde quer que esteja. Aonde quer que seja.
terça-feira, 17 de abril de 2012
sábado, 3 de março de 2012
Caminho
Fez do corpo inteiro coração. A cada pulso hilariante escapavam-lhe passos que faziam de seu caminho dança. Tinha medo do risco, ainda que cedo levantasse para correr mundo afora. Perdia-se. Renovava-se. De medo e coragem era feito. Da raiz dos pensamentos até a sola desterrenada do pé. Era questão de tempo. Passageiro ou preguiçoso? Era preciso certa desmedida. Um pouco de descontrole e falta de ritmo diante da vida. Essa que sorria como se pedisse calma. A próxima estação será repleta de flores.
domingo, 29 de janeiro de 2012
Ainda pequena descobriu a vida
Houve um tempo em que a tempestade escorria pelas canaletas do corpo e pela janela dos olhos da menina. Ainda pequena, bem cedo, descobriu a dor. A dor que não se vê. Nada de feridas, joelhos ralados ou machucados conquistados após a correria suada pelo quintal. Era uma dor silenciosa que perambulava pelo corpo miúdo que mal se cabia em pé quando caía no choro. Era uma dor tão dura que nem tinha cor.
Logo descobriu, pé ante pé, que geniosa e cuidadosamente o tempo passa. E cura. E guarda. E lança. E transforma. Faz da gente lugar, de passagem e de sonhos. Faz da gente corpo vivo. Que sente, que mobiliza, que se deixar afetar, que se reconhece como recanto de amor.
Logo a tempestade se fez chuva fraca até virar chuvisco. Os olhos ainda marejam, mas a menina não mais teme a dor. Sabe que se há movimento, há vida. Descobriu ela, bem logo, que para ser vivo é preciso deixar-se acontecer.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Corpo-mar
Como depois uma onda, que leva o corpo em derrubada, levanto e renasço para o novo dia. Com os cabelos ainda bagunçados e com um tanto de grãos de areia entre os dedos refaço o caminho de volta. Faço dele ida. Encarando o mundo e os castelos de areia.
Um pouco de mim vai ficando pra trás em um rastro de pegadas que se desenha na areia fofa. Lanço pedaços de miolo de mim pelo caminho para não me perder ao longo?
Logo, logo minhas pegadas são aguadas pelo mar, que de maneira gentil retorna, dessa vez sem sequer ultrapassar minha canelas, para refrescar meus passos e renovar minha caminhada.
Agora reconheço. O encontro do corpo com o mar revolto foi o melhor abraço chacoalhante que já recebi em toda a minha vida.
Um pouco de mim vai ficando pra trás em um rastro de pegadas que se desenha na areia fofa. Lanço pedaços de miolo de mim pelo caminho para não me perder ao longo?
Logo, logo minhas pegadas são aguadas pelo mar, que de maneira gentil retorna, dessa vez sem sequer ultrapassar minha canelas, para refrescar meus passos e renovar minha caminhada.
Agora reconheço. O encontro do corpo com o mar revolto foi o melhor abraço chacoalhante que já recebi em toda a minha vida.
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Coisa breve
Gosto de pensar que as delícias e prazeres breves da vida cabem na justeza de um tempo simples, leve, sem grandes adornos, pretensões e porquês. Um tempo/momento que se faz no amor. Nada mais. E que apesar da rapidez com que vem e logo se desfaz, em mim permanece.
sábado, 15 de outubro de 2011
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
A menina que descobriu o tempo. Com cobertor ou lençol estampado?
Andava numa pressa que mal cabia em tempos e passos largos.
Não sabia lidar com o silêncio de uma conversa feita de poucas palavras.
Tinha medo de parar em respiro, pois temia ser engolida pelo próprio sopro.
Arrastava-se madrugadas a fio pensando... enchendo a cabeça de missões e coisas que pertencem ao dia.
Finalmente parou. Permitiu-se desfrutar da novidade do descanso. Da pausa. Da conversa sem palavra. Da caminhada sem tempo. Da cabeça vazia.
Emocionada escutou pela primeira vez a batida de seu coração e o barulho da barriga gemendo de fome.
Sorriu. Leve, deitou-se. Dali em diante degustou dia-a-dia o mundo como fruta doce, deixando-se lambuzar.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Um parto para...
Um tanto de folha caída no chão.
Junto-me para não deixar rastros de um corpo frágil e quebradiço.
Sou forte até a última gota
Mas logo que caio desmancho inteira.
Desapareço.
Recolho-me em vida para não perder de vista as cores que me fazem mulher.
Nasci enrugada, gorda e bastante avermelhada.
Temia o escuro e o possível afastamento de minha mãe.
Carregava mochila nas costas e comida de casa na barriga.
Na cabeça pensamentos
No corpo uma felicidade que mal me cabia.
Fui feita de gente.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Balanço
Um pouco de brisa para trazer leves balanços a vida
Sensação de cabelos soltos e risos elásticos
No vai e vem deixo-me ir.
Os pés escapam o chão e caminham em direção ao céu
Meu vestido vermelho cor de laranja esparramado pelo corpo que se lança
Dança, balança, descansa e cansa.
Mal caibo em mim.
Estou destemidamente grande
Incrivelmente pequena para escapar por entre nuvens
Levada pelo movimento do ir e do vir.
Sensação de cabelos soltos e risos elásticos
No vai e vem deixo-me ir.
Os pés escapam o chão e caminham em direção ao céu
Meu vestido vermelho cor de laranja esparramado pelo corpo que se lança
Dança, balança, descansa e cansa.
Mal caibo em mim.
Estou destemidamente grande
Incrivelmente pequena para escapar por entre nuvens
Levada pelo movimento do ir e do vir.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Entre rosas
Logo cedo me fiz manhã. Caminhava por todos os lados à procura de um canto. Encontrei Cartola à beira, entre vestígios de um verde. Rosas, adoro recebê-las. Solitárias ou em buquê. O cheiro que delas vêm logo se faz gosto. Mas por que não falam? Entregam-se. Sem medo de despedaçar.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Doce afeto
Entre versos, flores e amores.
Entre aspas e cascas.
Aponto-me para o imprevisível.
Lanço-me ao delírio.
Gosto do cheiro, do gosto, do calor, do beijo.
Da chuva que cai, da pipa que aos céus se levanta a balançar junto ao vento numa dança.
Da canoa que no rio navega, da lágrima com sal leve de sabor, do sorriso que em face altera a expressão do rosto.
Pés por hora no chão por tempos no ar.
Corpo que ferve em banho. Maria, salve!
Lavo-me pelas gotas do orvalho suor que d'alma escorre.
Ao transpirar aspiro vida.
Ao levantar desejo amor.
... amor...
... amor...
... amor...
Entre aspas e cascas.
Aponto-me para o imprevisível.
Lanço-me ao delírio.
Gosto do cheiro, do gosto, do calor, do beijo.
Da chuva que cai, da pipa que aos céus se levanta a balançar junto ao vento numa dança.
Da canoa que no rio navega, da lágrima com sal leve de sabor, do sorriso que em face altera a expressão do rosto.
Pés por hora no chão por tempos no ar.
Corpo que ferve em banho. Maria, salve!
Lavo-me pelas gotas do orvalho suor que d'alma escorre.
Ao transpirar aspiro vida.
Ao levantar desejo amor.
... amor...
... amor...
... amor...
quinta-feira, 31 de março de 2011
Chá das cinco
Aceita um chá? Preparei a mesa com aquela toalha que você tanto gosta. Tem café, biscoitos e uma xícara de água quente. Há outros prazeres que prefiro que você descubra quando estiver confortavelmente sentado. Há também mais umas cadeiras, caso queira trazer companhias. Mas se a minha já lhe deixar satisfeito...
Sento-me bem em frente à você. Fiquei nervosa de encarar a cadeira bem ao seu lado. Queimei a língua. Estou aflita. Deixei espirrar um pouco de café na mesa para dar mais cor ao nosso encontro. Estava tudo muito bem apessoado. Um arrumadinho estranho para fazer propostas, pedidos. Lançar na mesa desejos. Escuto o som do biscoito que se quebra em sua boca. Faz um barulhinho curioso. Até dei um sorrisinho para descontrair. Tentava disfarçar minha natureza doce e extremamente delicada, quase ingênua de tão pura. Minhas mãos descansavam sobre meus joelhos com medo de acordar as pernas bambas. O bolo estava tão macio como meu pensamentos naquela tarde. Como mais um biscoito e corto um pedaço de queijo. Ele toma sua segunda xícara de chá e me olha enquanto dá o seu terceiro gole. Contei um por um: dois, três, quatro. Deixei cair no chão farelos de bolo. Acho que estava a comer com a boca entreaberta. Salivando eu o olhava. Ele ali diante de mim num fim de tarde de quarta-feira. Gostaria de ficar para o jantar? Carinhosamente ele dispersou seu olhar para a janela e sorriu.
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