sábado, 22 de janeiro de 2011

Sábado de Janeiro

Vou começar com palavras que já me percorreram e inclusive já devem ter soado aos ouvidos seus qualquer dia desses. Sábado fim de tarde. O dia inteiro foi lindo. Desde do primeiro um terço do dia. Logo pela manhã acordei e dei de cara-corpo com aquele clarão de sol entre o azul. Dia quente de luz bonita. Dia bonito que merece ser vivido do lado de fora. De casa ouço as gargalhadas de minha mãe ecoarem juntas com a de Katchuca. Elas se divertiam com algo que um sábado de sol sempre traz. Quando o dia está amarelo com azul céu penso que as pessoas ficam nesse mesmo colorido. O suor não incomoda. Faz brilhar em mim o dia que corre lá fora. Estou a suar um sábado de janeiro. Aquele que se apresenta logo no início de um ano que promete. É sinto assim: esse ano promete! Há algo em mim que se renova junto com a saída daquele e a chegada deste.  Novo ano. Esperanças, sonhos e metas reenergizadas de um amor e de uma leveza incríveis. Quero mais sábados desse tipo e mais anos dessa cor. Gosto dos sábados, dos domingos e da semana que corre. Acho que bem gosto dos dias. Do dia a dia. A segunda que se cola na terça e assim sucessivamente... Rotina não me cansa. Faz-me enxergar o todo de maneira mais organizada e quase clean. Uma palavra estrangeira em meio a tantas outras que estão na ponta de nossa língua. Engraçado isso. Pode ser o curso de inglês dando resultado. Ê sábado que me dispersa e entorpece de alegrias. Fico mais bem humorada. Está tudo tão bonito lá fora. Acho que é hora de abandonar as teclas e viver o dia que me espera.

Agraciada

Penso. Desde o primeiro momento que te vi. Rememoro lembranças de um amor que me conquistou no instante e vem me atropelando festivamente há anos. A primeira vista encontrei algo profundo que me faz cambalear de gratidão, risos e afeto. Ali chegava você para iluminar meu coração e alma. Obrigada. Infinitamente obrigada meu doce amor.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Navegante

Um pouco antes da partida os navegantes juntaram-se na área externa do navio e começaram a dançar. Cantar. Movimentar os corpos a fim de aquecê-los antes da partida. Os momentos que antecedem o embarque são sempre tensos e calorosos, frescos e curiosos e invariavelmente atravessados por uma leve espera ansiosa. Fazia calor naquela tarde de sexta-feira. Aos prantos os corpos suavam. Deixavam água escorrer. Mar. Rio. Dilúvio. Maré. Poucos minutos antes da viagem cantarolamos música já conhecida por nós, olhamos uns para os outros. Sorrimos. Éramos beleza. Tons pastéis, dourado e bronze. Cabelos semi-presos, roupas semi-amassadas e corpos por inteiro. Na entrada do convés, pedras. Cantos. Pouca luz. É chegada a hora. Aos poucos tripulantes vindos de vilarejos e lugares diversos começam a ocupar o navio. Burburrinho. Silêncio. Olhares. Todos se acomodam e aguardam o soar do último apito para que seja dada a partida. Partimos... lá vamos nós. Rumo à Ítaca. A nossa Ítaca. Musas, aedos e ilhas distantes. Cantos estridentes e suaves de sereias. Calor. Suor. Família por perto. Minha mãe bem ao lado a me observar. Amigo próximo. Gente querida. Ao longo da viagem fui reconhecendo pessoas. Cumprimentando-as. Um olhar daqui um olá de lá. Éramos pura felicidade.Sentia-me estranhamente em casa. Aos poucos o corpo encharcado de suor e lágrimas ia perdendo-se em passos largos. A voz também foi desaparecendo aos poucos. Alegria e angústia juntas, lado a lado. O navio pára. Faz um forte calor. Mais um dia de viagem. Rastros de pedras, água espalhada pelo chão. Bacia de prata. Pés descalços. Ouço vozes. Danço canções. Sou recebida com abraços. Em casa estou, junto à família. Beijos, abraços calorosos e sorrisos nos ocupam. Todos ali tão próximos. Memória viva se manifesta em arrepio no corpo. Como foi bonito aquele três de dezembro de dois mil e dez. Partida Chegada. Encontros.   

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Quando bate a saudade

Coração aperta, tempo pára, olhar fica disperso e eu longe.
Pensamentos voam alto, a caminho daquilo que do outro lado da montanha me espera.
Vem, vem pro mar amor!
Vem sentir o calor dos braços meus!
Sinto falta do cheiro, do toque e do amor. Seu. Meu. Venha!
Chegue logo e vamos juntos abraçar o mar.
Quero sentir seu gosto e seu corpo junto do meu.
Ê saudade que aperta esse coração que espera.
Bebo baldes de água, escrevo poemas e sinto no corpo a falta.
Cama vazia, silêncio.
Quero sua voz a me acordar. Quero cama cheia e corpo. Quero amor!
Venha!
Chegue depressa e me coloque no colo.
Dance comigo.
Vamos namorar! Paixão minha, alegria que me ocupa.
Venha!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

De volta à casa


Reencontro a praia, o mar, o calor, o bafo de calor, o suor que mela, o samba e os amigos de para sempre. Sinto amor de irmãs e sorriso de pai. Danço no tapete da sala com a Lelê e ela dá umas risadas ótimas. Ouço o chiado de xis que se arrasta nas palavras e vem uma alegria boa. Minha cidade é maravilhosa e continua lindo. Vou até Madureira lembrar do meu lugar. Durmo com o blusão do meu pai e ele coça as minhas costas. De Ítaca me aproximo.  Minha Ítaca tem sotaque carioca. Ai, que vontade de abraçar a Nunu! Almoço de domingo que se estende até as conversas do café da tarde da segunda. Cheiro de lanche. Pão de Açúcar. Redentor que nos proteja e livrai-nos de todo mal. Mal chego e logo arrepio. Mal observo e tanto percebo. Cheguei em casa. Em terra minha, em cidade que me ocupa. Aquilo que antes se apresentava a mim como mais do mesmo, agora, incrivelmente, salta aos meus olhos como paisagens vivas. Lágrimas ao atravessar as linhas - amarela e vermelha - que cortam esse Rio que tomo como meu, como parte de mim. Seria possível isso se talvez estivesse por perto? Acho que a distância nos reapresenta a nossa própria casa. Como passei a observá-lo de maneira mais cuidadosa. Aquilo que escapava-me as vistas, agora é pintura que da cor à memória. Viva! Pôr-do-sol no Arpoador e o samba na Portela. Tom, Vinícius, Cartola, Jamelão e tantos outros que cantavam o Rio. Salve toda gente desse lugar e  todo lugar dessa gente. Salve a simpatia carioca! Salve Jorge!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Doce três de novembro





Lá nasceu. Era noite do dia três de novembro de 2007. Ainda se via a sobra de um feriado atravessando um sábado inquieto. Um fim de semana tão querido e pouco ocupado. As horas passavam e não se via nem sinal de abraço. Apenas o aguardava em uma angustiante espera. Encontrei-o. Depois de tantos achados e perdidos senti o primeiro suspiro de amor. O primeiro olhar, daquele que tanto queria, cruzava-se com o meu. Tratei de vestir a roupa mais bonita e igualmente confortável. Nesse momento de tanta alegria sentia-me pela primeira vez reconhecida. Um reconhecimento quase farejante. Ele queria toque. Eu queria toque, amor e beijo. Deu certo. Acho que ele gostou de mim. Finalmente, após um ano e meio de namoro solitário havia encontrado meu par. De fato ele existia e naquele momento mostrava-se disposto e levemente animado em seguir em frente. Curiosamente eu entendia a sua sutíl dificuldade em caminhar junto. Sua pouca idade o fazia ter medo do escuro. Do vazio. Do encontro. Um com dezessete e outra prestes a completar dezoito. Número pequeno que se fazia infantil diante de um amor grande. Como encarar aquilo que chega cedo e te solicita tão logo? O amor que vem logo de manhãzinha e me ocupa até o entardecer. Como posso querê-la para sempre se ainda pouco a conheço e pouco de todo o muito do mundo também? Era preciso viver. Ainda havia muita vida pela frente e não era possível esbarrar em uma amor naquela altura. Deu certo. O amor à primeira vista tem me ocupado por anos a fio. Quando meus olhos descansaram sobre ele, na primeira vez em que o vi, senti que algo de novo em mim nascia. A estranheza de um amor desconhecido e nem sequer ainda vivido despertava-me lembranças e memórias. Simplesmente já o amava sem nem ao menos lhe contar meu nome. Prazer, você aceita tomar um sorvete comigo? Deu certo.

sábado, 30 de outubro de 2010

Árvore solitária

Grandes montanhas verde musgo. Tapete gramado que encobre o mar de montanhas. Para além delas sinto cheiro de água limpa e salgada, de oceano mergulhante no mais profundo azul. Em meio a tantas e tantas montanhas irmãs encontro uma na qual brotou uma árvore solitária. Ela tem o caule fino e sua copa é bastante larga e ocupada por folhagens nos mais diversos tons de verde. Vejo uma menina sentada sob sua sombra refrescando-se com o ar do dia e com as palavras doces do livro que lê. Nas mãos finas de menina moça ela carrega seu livro de poucas páginas. A capa tem o tom de rosa claro mesclado com vermelho telha. Não sê vê desenhos, apenas poucas palavras. Frase curta que dá nome ao livro. A menina sorri, um daqueles sorrisos entre lábios. Seus cabelos estão soltos e seus pés descalços. Encostada no tronco da fina árvore com a cabeça levemente inclinada ela lê. Alternância de leitura e cochilo. Livro e leve sono. Seus olhos descansam sobre sua face de pouca idade. É fim de tarde. O sol atravessa as folhas desenhando no ar caminhos de luz. Há um leve calor. A suar estão as mãos da menina. O livro escorrega dançante. Não cai. Não alcança o tapete verde da montanha. Apenas cambaleia entre as mãos da menina. O sol começa a se despedir. Já é quase noite. Uma fatia de lua nasce no céu trazendo com ela uma pequenina estrela brilhante. O céu é uma mistura de dia e noite. O amarelo alaranjado com vestígios de vermelho se mistura ao azul claro e breu. Já é noite. A menina levanta. Embaixo de seu braço direito, entre braço e corpo, está o livro. Fechado. Daqui se vê apenas a capa.